Cáries

As cáries dentárias são a principal causa de dor bucal em toda a população. Um dado importante para se saber é que elas podem ser prevenidas com o cuidado adequado da saúde bucal.
O que são as cáries?

A cárie dentária é um dos principais motivos de consulta odontológica. Constitui um problema para crianças pequenas, adolescentes e adultos, uma vez que é uma doença potencialmente destrutiva dos dentes.

O desenvolvimento das cáries depende de três fatores inter-relacionados: os hidratos de carbono incluídos na dieta, a superfície dos dentes e as bactérias da boca. Estes micro-organismos são o principal fator relacionado ao desenvolvimento da cárie dentária, já que eles se alojam sobre uma película que se forma sobre os dentes e recebe o nome de placa bacteriana.

A cárie é uma doença de origem infecciosa que produz a destruição dos tecidos duros que formam os dentes, levando, assim, à formação de cavidades. Não costuma gerar dor quando afeta a parte mais superficial do dente: o esmalte. No entanto, sua progressão pode comprometer as partes mais internas do dente, onde se situa a polpa dentária, provocando odontalgia, ou dor de dentes. Além disso, pode acarretar o aparecimento de sensibilidade nos dentes, em particular quando estes são expostos a determinados alimentos frios, quentes ou doces.

Como as cáries se originam?

As cáries são formadas pela ação bacteriana sobre os dentes. Para poder entender este processo, é importante conhecer a estrutura de um dente. Este consta de três partes: a coroa, o colo e a raiz. A coroa é a parte externa do dente. É coberta por uma substância dura e estável denominada esmalte que é composta por aproximadamente 97% de material calcificado e 3% de material orgânico e proporciona resistência ao processo abrasivo da mastigação. O colo do dente é a porção mais estreita; está rodeado pela gengiva e une a coroa à raiz. Finalmente, a raiz é a parte do dente localizada no espaço do processo alveolar dos maxilares superior e inferior. Pode ser uma estrutura única ou ter duas ou três projeções cônicas separadas. A raiz não está ancorada de forma rígida por meio do cemento ao processo alveolar, mas sim suspensa no espaço mediante a membrana periodontal.

A cobertura externa de cada um dos dentes é composta pela dentina, pelo cemento e pelo esmalte. A dentina forma a maior parte do envoltório do dente. É coberta por esmalte na área da coroa e por cemento no colo da raiz. A dentina é o tecido que contém a cavidade pulpar, constituída por tecido conjuntivo, vasos sanguíneos e linfáticos e nervos sensitivos. A cárie dental pode afetar qualquer uma das três estruturas dentárias, o esmalte, a dentina e o cemento, ocasionando a formação de uma cavidade permanente.

Com respeito à formação das cáries, em nível oral existem cerca de 700 espécies diferentes de bactérias. Estas se acumulam ao redor e entre os dentes, na chamada placa bacteriana (película de bactérias que se adere à superfície dos dentes). Diante da presença de determinados hidratos de carbono na dieta, estas bactérias podem realizar um processo chamado fermentação, que produz ácidos. Estes ácidos podem levar à desmineralização da superfície do dente.

Existem muitas bactérias na placa dental, porém as mais identificadas como agentes causadores da cárie dentária são o Streptococcus mutans e os lactobacilos. O primeiro tem a capacidade de aderir à superfície do dente e produzir ácido em abundância. A consequência disso é um processo de desmineralização. Uma vez que se forma uma cavidade no dente, os lactobacilos a colonizam, produzindo ácido e dando continuidade ao processo de desmineralização.

Como se apresentam?

A cárie sempre começa a ser gerada externamente. Embora inicialmente as camadas subjacentes à externa se descalcifiquem e amoleçam, a camada externa mantém-se intacta. Somente em etapas posteriores, por ação mecânica, a camada externa é rompida, acarretando assim o aparecimento de uma cavidade visível (cárie). Também podem aparecer sob a forma de manchas brancas, pretas ou marrons sem uma cavidade associada. A cor adotada pela cárie está associada à velocidade de destruição da peça dentária. As cáries brancas são as que progridem mais rapidamente e as pretas, as de progressão mais lenta.

A cárie que afeta o esmalte não provoca sintomas, não dói nem costuma causar sensibilidade dentária, já que o esmalte é uma estrutura carente de fibras nervosas. Por outro lado, quando a cárie progride e chega à dentina, é frequente que seja manifestada sensibilidade à temperatura dos alimentos ou bebidas ingeridos (frios ou quentes), bem como às substâncias ácidas e doces. Isso se deve ao fato de que, diferentemente do esmalte, a dentina é uma estrutura que contém terminações nervosas. À medida que a cárie avança em profundidade, as bactérias sobem à polpa dentária, onde se localizam vasos e nervos, produzindo uma inflamação neste nível, o que origina o aparecimento de uma dor aguda.

Como as cáries são diagnosticadas?

As cáries dentárias são diagnosticadas no exame odontológico, quando o dentista detecta uma solução de continuidade do tecido dentário, isto é, a presença de cavidades de tamanho distinto. Além da exploração dental, pode-se completar o diagnóstico das cáries com uma radiografia que confirme a presença de áreas descalcificadas e de cavidades. As radiografias podem revelar cavidades localizadas entre os dentes e abaixo das gengivas, onde a exploração direta é difícil.

Como são tratadas?

O tratamento da cárie implica a restauração da cavidade, o que habitualmente se consegue preenchendo-a com amálgama de prata, resinas compostas (compósitos), entre outros, e dependerá da extensão e profundidade da cavidade. Se a cárie compromete a polpa dentária, em algumas ocasiões é necessário remover o tecido. Em outros casos é necessária a extração dentária.

Como prevenir o aparecimento de cáries?

A redução da incidência de cáries nos últimos anos na maioria dos países desenvolvidos está associada à melhoria da higiene bucal, o que inclui a escovação diária efetiva e o uso do fio dental para remover a placa, bem como a utilização de cremes dentais com flúor, combinada com revisões dentárias periódicas. É por isso que as melhores medidas para prevenir as cáries dentárias são a correta higiene dental (escovação diária com cremes dentais que contenham flúor) e a consulta odontológica periódica.

O flúor aumenta a dureza do esmalte dentário, tornando-o mais forte diante dos ácidos. Uma quantidade apropriada de flúor ajuda a prevenir e controlar as cáries. O flúor pode ser fornecido sistematicamente por intermédio da água de consumo fluorada e outras bebidas que o contenham, ou mediante suplementos. Da mesma forma, ele pode ser propiciado de modo tópico, diretamente sobre a superfície dos dentes, com o uso de creme dental, enxaguantes bucais, géis e esmaltes. Deve-se levar em conta o nível de flúor existente na água potável e na comida quando se avalia a necessidade de tomar suplementos. Isto é especialmente importante nas crianças menores de 6 anos, cujos dentes ainda estão se desenvolvendo. O excesso de consumo de flúor pode causar manchas nos dentes, o que é conhecido como fluorose.

A escovação com a utilização de um creme dental com flúor parece ser o fator mais importante na queda do aparecimento de cáries. A escovação e o uso de fio dental, concomitantemente à aplicação do flúor, ajudam na eliminação de bactérias da boca e na redução do risco de cáries e doenças periodontais. Além disso, a aplicação regular de esmaltes fluorados realizada pelos dentistas é uma medida de prevenção muito efetiva, sobretudo em crianças com alto risco de cáries.
Os controles regulares do odontologista ajudam a detectar e prevenir problemas futuros, uma vez que a eliminação periódica da biopelícula pode ajudar a diminuir a incidência de cáries. Se a placa é mínima, a quantidade de ácidos formados será insignificante e as cáries não se produzirão.

Com respeito ao consumo de açúcares, durante muitos anos pensou-se que para evitar o surgimento de cáries era recomendável não comer doces em excesso, mas nos últimos anos o consumo de açúcar em muitos países manteve-se constante enquanto os níveis de cáries diminuíram. Isso sugere que quando se pratica uma higiene bucal adequada (escovação regular usando creme dental com flúor), o papel do açúcar na formação da cárie é menos importante. Do mesmo modo, deve-se considerar que qualquer alimento que contenha carboidratos (açúcares ou féculas e, sobretudo, aqueles que possuem sacarose) pode contribuir para o aparecimento dessas lesões. Os alimentos que aderem aos dentes aumentam o risco em comparação aos que desaparecem da boca rapidamente. Quanto mais tempo os alimentos que contêm carboidrato permanecerem ao redor dos dentes, mais tempo as bactérias terão para produzir ácidos e maior será a possibilidade de agressão.

É aconselhável limitar o número de ingestões com carboidratos a não mais que seis vezes ao dia e certificar-se de que os dentes sejam escovados utilizando um creme dental com flúor duas vezes ao dia.

A importância de manter uma boa saúde oral…

A placa bacteriana está associada à produção e ao progresso da cárie dentária, à doença inflamatória das gengivas (gengivite) e à doença periodontal. Um bom controle da placa possibilita a regressão desses processos.

O uso diário de uma escova dental e outros auxiliares é forma mais confiável para obter benefícios para a saúde oral de todas as pessoas, independentemente de sua idade. Apesar da ampla gama de métodos disponíveis, a eliminação da placa com uma escova dental manual continua sendo o principal método para manter uma boa higiene oral para a maioria da população.

A escovação diária é talvez a medida mais importante que indivíduo pode tomar para reduzir o acúmulo de placa e consequente risco de doenças associadas à placa, como as cáries e a periodontite.

Os profissionais da saúde bucal geralmente recomendam pelo menos 2 minutos de escovação com uma técnica apropriada. Entretanto, o tempo médio de escovação na população em geral está mais próximo aos 45 segundos.

Escovar os dentes é uma parte importante da rotina do cuidado dentário. A Associação Dentária Americana (ADA, na sigla em inglês) recomenda:
• Escovar os dentes duas vezes ao dia com uma escova de cerdas macias. O tamanho e o formato da escova devem ser tal que caibam na boca permitindo que todas as áreas sejam alcançadas facilmente.
• Trocar a escova dental a cada três ou quatro meses, ou antes, se as cerdas estiverem desgastadas.
• Utilizar dentifrício fluorado.

Passos para uma técnica de escovação adequada:
• Colocar a escova dental a um ângulo de 45 graus das gengivas.
• Mover suavemente a escova para frente e para trás em movimentos curtos na totalidade do dente.
• Escovar as superfícies externas, internas e de mastigação.
• Para limpar as superfícies internas dos dentes frontais, inclinar a escova verticalmente e efetuar vários movimentos para cima e para baixo.
• Escovar a língua para remover as bactérias e manter um hálito fresco.

 
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